Tradição, memória e reinvenção na maior festa do calendário valenciano
O São João de antigamente: cheiro de pitanga e porta escancarada
Houve um tempo em que o São João de Valença começava dentro de casa. As famílias se reuniam dias antes para arrumar tudo: varriam o chão de terra batida e espalhavam folhas de pitanga, que perfumavam o ambiente. As paredes ganhavam bandeirinhas de papel de seda, e dos talos das folhas de coqueiro nasciam balões coloridos para ornamentar as salas. A palha de dendê, trançada com capricho, completava a decoração.
Nas ruas, a união era a regra. Vizinhos combinavam onde amarrar o cordão de bandeirolas que cortava o céu de um lado ao outro. A disputa sadia era pela fogueira mais alta, acesa na frente das casas ao cair da noite. E as mesas? Fartas de verdade: milho cozido, canjica, pamonha, bolo de aipim, amendoim e o licor caseiro.
O mais bonito era o gesto: as portas ficavam abertas. Quem passava era convidado a entrar, provar as iguarias, tomar um gole de licor e ficar. Ao som das vitrolas tocando forró, a dança só acabava quando o dia amanhecia.
Os novos tempos: precaução e reinvenção
Com o passar dos anos, a realidade mudou. Por precaução, as portas que antes ficavam escancaradas se fecharam. A festa migrou da sala de casa para a praça pública, mas sem perder a alma.
O São João de hoje: cultura na rua e nas praças
Atualmente, a gestão municipal leva o São João a cada canto da cidade. O arraiá acontece nos bairros, valorizando as “pratas da casa”: grupos culturais, bois-bumbás, quadrilhas juninas e encenações que contam a história do povo nordestino.
A festa se reinventou e soube dialogar com o presente. Em anos de Copa do Mundo, por exemplo, a tradição junina se uniu à paixão nacional pelo futebol. A expectativa pelo “exa” — o hexacampeonato — divide espaço com o arrasta-pé, provando que cultura e esporte caminham juntos quando o assunto é unir o povo.
O São João de Valença segue vivo. Mudou de forma, mas não de essência. Continua sendo encontro, partilha e orgulho de ser nordestino.
E viva São João Nordestino! E viva o São João de Valença!
Recado importante: Se beber, não dirija. Aproveite a festa com responsabilidade. Tudo pelo bem da sua vida.
