Com o início da Copa do Mundo, bares, restaurantes e plataformas de delivery entram em um dos períodos mais críticos do ano para suas operações. O aumento no volume de pedidos, especialmente durante os jogos do Brasil, transforma a infraestrutura tecnológica em um fator decisivo para garantir vendas, evitar interrupções e preservar a experiência do consumidor.
Embora a atenção do setor esteja voltada para o crescimento do faturamento, especialistas alertam que o maior desafio pode estar nos bastidores. Bancos de dados, integrações entre sistemas e ambientes em nuvem precisam responder a milhares de transações simultâneas sem comprometer a operação. Quando essa estrutura falha, os prejuízos vão muito além da perda de pedidos: afetam a reputação da marca e a fidelização dos clientes.
A Goomer/Abrasel SP estima que o movimento e faturamento previsto de bares e restaurantes durante os jogos do Brasil na Copa terão um aumento médio de 150%. Para Eduardo Glazar, Diretor de Serviços da Globalsys, empresa especializada em sustentação de banco de dados, integração de sistemas e soluções de alta disponibilidade para o mercado de food service, o apagão é um sintoma de um problema estrutural que muitos estabelecimentos e plataformas ainda subestimam.
“A sustentação do banco de dados não é um detalhe técnico. É a espinha dorsal de qualquer operação digital. Quando ela falha, tudo falha: pedidos, integrações, relatórios, atendimento. E no food service, onde o tempo de resposta é crítico, cada minuto de instabilidade se converte diretamente em prejuízo financeiro e em dano à reputação do estabelecimento”, afirma o diretor.
Glazar explica que ambientes de banco de dados para o setor gastronômico precisam ser desenhados para suportar variações abruptas de carga, o que os especialistas chamam de ‘picos de demanda’. Em datas como Dia das Mães, Natal, Réveillon e, especialmente, nos jogos da Copa do Mundo, o volume de transações pode multiplicar em questão de horas, sobrecarregando sistemas que não foram estruturados com redundância, monitoramento contínuo e mecanismos de failover.
“Uma integração bem construída não é apenas aquela que funciona no dia a dia. É aquela que não falha quando todo o setor está em operação simultânea. Isso exige arquitetura, planejamento e uma camada de sustentação ativa, não reativa”, complementa o executivo.
De acordo com projeções da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o setor de alimentação deverá faturar R$ 2,42 bilhões durante a Copa, um crescimento de 15,7% em relação à edição de 2022. Parte desse crescimento está diretamente ligada ao calendário favorável, com jogos do Brasil em noites de sábado, sexta-feira e quarta-feira, permitindo que bares e restaurantes capitalizem ao máximo o espírito de celebração coletiva.
Mas esse cenário de oportunidade tem um lado frágil. “Nos dias de jogo do Brasil, o volume de pedidos pode triplicar ou quadruplicar em questão de minutos. Se a infraestrutura tecnológica não estiver preparada para isso, o estabelecimento perde exatamente nas horas em que mais poderia ganhar. E o pior: perde diante do cliente. É um dano que vai além do financeiro”, alerta Glazar.
Os dados históricos da Copa de 2022 reforçam a magnitude do desafio: vendas em bares cresceram até 67%, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA), e alguns estabelecimentos registraram crescimento de mais de 195% nos pedidos em comparação a dias sem jogo.
Além da sustentação do banco de dados, Glazar destaca que a integração entre sistemas é outro ponto crítico frequentemente negligenciado. No modelo atual do food service, um restaurante típico opera com uma plataforma de gestão central, integrada a múltiplos aplicativos de delivery, sistemas de pagamento, controle de estoque e ferramentas de relacionamento com o cliente. Quando essa teia de conexões não é construída com solidez, qualquer oscilação em um ponto se propaga para toda a cadeia.
“Integração não é apenas conectar sistemas. É garantir que eles se comuniquem de forma estável, segura e resiliente, especialmente quando a carga aumenta. Uma integração bem-feita é invisível. Você só percebe que ela existia quando ela falha”, afirma o diretor.