Parte de destroços de um avião da Força Aérea Brasileira (FAB), modelo C-47 turboélice, que caiu no mar de Boipeba, em Cairu, em 1952, uma das hélices foi localizada e resgatada por pescadores na região, na última terça-feira (31), reacendendo a memória de um dos episódios mais marcantes da história da aviação brasileira. O destroço foi encontro no local conhecido como “Lama do Pá Um”, na parte Norte da ilha.
O acidente ocorreu no dia 11 de julho de 1952, por volta das 7h, quando a aeronave sobrevoava a ilha em baixa altitude no sentido norte-sul. De acordo com relatos, uma das asas já apresentava fumaça enquanto o avião passava próximo à Praia do Outeiro, desaparecendo em seguida da visão dos moradores de Velha Boipeba.
A queda aconteceu a cerca de 200 metros a leste das piscinas naturais provocando um forte impacto que assustou a população da época, estimada em cerca de 500 habitantes. “Uma das asas estava enfumaçando” e o avião “passava bem perto da Praia do Outeiro”, conforme registros históricos de moradores. O barulho da queda também foi descrito como intenso, capaz de mobilizar toda a comunidade local.
Avião FAB C-47 similar ao que caiu em Boipeba em 1952
Pescadores organizaram uma operação de resgate em canoas, levando as vítimas até a praia da Cueira, onde receberam atendimento do médico Dr. Mustafá Rosemberg, saudoso e ilustre profissional com décadas dedicadas à medicina em Valença, com atuação, inclusive, na segunda guerra mundial. Aproximadamente 20 pessoas foram resgatadas, sendo que 13 não resistiram aos ferimentos. O piloto e outras três vítimas não foram localizados.
Entre os envolvidos no resgate, nomes como Misael Lopes Menezes (Mimi), Arlindo Lopes Menezes, Neto Gomes Gonçalves Magalhães, Antônio Dércio, Natinho de Valença, Raimundo Gonçalves, Seu Duca, Seu Érico, Jorge Odorico, Seu Álvaro, Manuel Lopes Meneses, André Gonçalves e Antônio de Paulo foram lembrados por moradores antigos.
Os pescadores que participaram da ação foram posteriormente levados a Salvador em um navio da Marinha do Brasil, onde receberam certificados, registros fotográficos e gratificação em dinheiro. À época, o então ministro da Aeronáutica, o Brigadeiro Nero Moura, reconheceu o grupo como heróis nacionais.
As informações são baseadas em relatos de moradores antigos da ilha e em pesquisas históricas realizadas por Ricardo Horta, da Pousada Aldeia, com checagem e novas pesquisas de Marcelo Dutra, da redação de Portal Bahia.
