
Imagem 1_Cristo.jpeg
Enquanto o Carnaval de Salvador, maior festa popular do planeta, segue encantando o mundo com suas cores e brilhos atrás do trio-elétrico, um outro bloco corre nos bastidores, em torno da balança, longe da exploração histórica dos atravessadores. São as 14 cooperativas, como a CAEC, que oferecem mais dignidade e segurança a cerca de 2.300 catadores de resíduos sustentáveis, durante a festa, oferecendo pagamento justo e contribuindo no combate da desvalorização do material coletado por intermediários informais.
Hoje, enquanto atravessadores pagam R$ 6 por quilo da latinha recolhida na festa, e que contribui para que o país seja, há 16 anos consecutivos, líder mundial na reciclagem do alumínio, a CAEC paga R$ 8 por quilo coletado. Além disso, a cooperativa valoriza o recolhimento de outros materiais, como o vidro, plástico, garrafas PET e papelão, ampliando significativamente a renda dos trabalhadores.
“Quando o catador vende para o atravessador, ele fica vulnerável, recebe menos e não tem garantia nenhuma. Na cooperativa, ele recebe um preço justo, acompanha o peso na balança digital, tem equipamentos de segurança e sabe exatamente quanto está ganhando. Isso muda tudo”, afirma Jacson Lemos Costa, Técnico de Logística da CAEC.
Fim da exploração e mais transparência: o peso justo que transforma vidas
Um dos maiores diferenciais da cooperativa é a transparência no processo de pagamento. Todo material é pesado em balanças digitais, permitindo que o próprio catador acompanhe o valor em tempo real. Embora simples, a medida rompe com anos de desconfiança e perdas financeiras. Além disso, todo o material coletado segue diretamente para a indústria, eliminando intermediários e garantindo maior valor agregado ao trabalhador.
Impacto na renda e na autoestima
A qualidade do serviço começa com o respeito e cuidado com o trabalhador que, através das cooperativas, recebem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como botas, luvas, fardamento e itens de segurança que reduzem riscos e elevam o reconhecimento pela profissão. Além disso, as 14 cooperativas atuam em parceria com órgãos públicos e empresas privadas, que oferecem espaços para alimentação, locais para banho, apoio logístico e bonificação financeira por produtividade. Um exemplo disso é a meta que oferece R$ 50 adicionais, para cada 15 kg de plástico ou PET coletados durante a festa. O valor da bonificação pode ser acumulado várias vezes ao dia.
“Quando o catador está uniformizado, o folião não joga a latinha no chão. Ele entrega na mão. Isso é respeito. O uniforme transforma a forma como o trabalhador é visto”, destaca Costa.

ICatadores recebem kits de EPImpacto social
O impacto social das cooperativas da Bahia vai além da redução do volume destinado aos aterros sanitários e do CO2 durante o Carnaval de Salvador. Para muitos catadores, o trabalho representa mais do que uma renda temporária, e passa a ser um passo inicial para a reconstrução de uma vida mais digna.
Elielson Santos do Rosário, catador há anos, resume o impacto da iniciativa: “Esse trabalho está me dando proteção e segurança. Meu sonho é sair da rua, alugar uma casa e reconstruir minha vida. Agora, com a cooperativa, acredito que isso é possível”, afirma o catador associado à CAEC, que este ano está no circuito Barra-Ondina, nas imediações do Cristo.
Já Francislene Xavier não é catadora. A ambulante vê na reciclagem uma oportunidade de um ganho extra: “o pessoal bebe e joga a latinha no saco pendurado em meu isopor. Uso esse material para trazer aqui e fazer uma renda que já me ajuda no café, no almoço. Mas essas cooperativas ajudam muita gente”, destaca a vendedora de cerveja.
