Foto: Google Maps
Por Joberth Melo
Profissionais estariam há cerca de cinco meses sem receber; usuários relatam dificuldades para manter tratamento e acesso a consultas
Incerteza e aflição: esses são os sentimentos que pacientes do Serviço de Assistência Especializada (SAE) São Francisco, gerido pela Prefeitura de Salvador, estão enfrentando devido à falta de médicos infectologistas. A informação é de que esses profissionais estão há cerca de cinco meses sem receber pagamento da gestão municipal.
Portador do vírus HIV, um paciente que preferiu não se identificar, atendido há pouco mais de um ano na unidade, afirmou que descobriu a situação ao tentar realizar uma consulta de retorno com o infectologista, marcada para março. “Soube que o médico que me atende pediu demissão devido à falta de pagamento”, disse.
Sem acompanhamento, o usuário não consegue obter a receita para retirar os medicamentos na própria unidade. As substâncias utilizadas no tratamento do HIV contribuem para reduzir a carga viral a níveis indetectáveis, impedindo a replicação do vírus e melhorando a qualidade de vida. Na rede privada, uma consulta com infectologista custa em torno de R$ 450.
O SAE conta com uma equipe multiprofissional, com o objetivo de oferecer suporte e assistência pelo SUS, principalmente a pessoas em tratamento de HIV/Aids, hepatites virais e outras ISTs. “O atendimento é maravilhoso. O espaço carece de infraestrutura, mas ninguém pode se queixar do profissionalismo da equipe. Fui ouvido, acolhido, abraçado e encorajado a continuar fazendo o que fosse preciso para estar bem”, disse.
Continuidade do tratamento
A falta de prazo para o retorno dos infectologistas no SAE São Francisco levou o paciente a buscar outras unidades de referência. No entanto, as vagas só estão disponíveis após o mês de julho. “Devo pedir minha transferência para o Instituto Couto Maia. É muito triste depender de médico e ainda ter que passar por isso”, finalizou.
