No Dia de Luta Indígena, FABI tem abertura oficial com momento de honra à ancestralidade
Neste sábado, 7 de fevereiro, a Aldeia Indígena Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, na Bahia, foi palco de um evento de profunda significância cultural e social: a abertura oficial do I Festival do Artesanato Baiano Indígena e da Economia Solidária da Bahia (FABI). Embora as atividades do festival já tivessem começado ontem, sexta-feira, dia 6, o dia de hoje foi marcado pela solenidade que celebrou a ancestralidade, a resistência e o futuro dos povos originários baianos.
A cerimônia de abertura teve início às 9h, no coração da Aldeia Indígena Coroa Vermelha. Este ato solene não apenas marcou o início oficial das celebrações, mas também proporcionou momentos de valorização e empoderamento direto aos artesãos indígenas. Estiveram presentes diversas autoridades e lideranças, incluindo o secretário da Trabalho, Emprego, Renda e Esportes do Estado da Bahia, Augusto Vasconcelos; o Prefeito de Santa Cruz Cabrália, Girlei Laje; o Superintendente de Economia Solidária, Wenceslau Júnior; o Coordenador do Artesanato da Bahia, Weslen Moreira; o representante do Ministério dos Povos Indígenas, Niotxaru Pataxó; o Presidente da Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia (FINPAT), Kâhu Pataxó; o Coordenador das Políticas para os povos Indígenas, Jerry Matalawê; a Deputada Estadual, Claudia Oliveira; o Fundador da mídia indígena, Erisvan Gajajara; o Cacique de Coroa Vermelha, Cacique Louro; o Cacique de Coroa Vermelha, Cacique Zeca Pataxó; o Cacique e Presidente do Conselho de Caciques da Terra Indígena Barra Velha do Monte Pascoal, Suruy; o Presidente do Conselho de Caciques, Cacique Siratã Pataxó; o Coordenador regional da FUNAI, Aruã Pataxó; a Secretária de Assuntos Indígenas do Município de Santa Cruz Cabrália, Taiane Pataxó; a Secretária de Cultura do Município de Santa Cruz Cabrália, Andreza Anjos; a Ouvidora-Geral da Defensoria Pública do Estado da Bahia (DPE/BA), Tamikuã Pataxó; a Presidente da Associação de Mulheres Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul, Samehy Pataxó; e a Caciqua da Aldeia Juerana, Iamany Pataxó.
Um dos pontos altos foi a entrega de 126 Carteiras Nacionais de Artesão, um instrumento crucial para a formalização e o acesso a políticas públicas para esses profissionais. Além das carteiras, foram entregues certificados de cursos de precificação, vitrinismo e participação em eventos de comercialização para 16 artesãos. Esses cursos, realizados entre os dias 31 de janeiro e 3 de fevereiro, fazem parte do Programa de Qualificação do Artesanato da Bahia, demonstrando o compromisso com o desenvolvimento profissional e a sustentabilidade econômica das comunidades.
Durante o festival, os visitantes têm a oportunidade de mergulhar na rica cultura indígena por meio da exposição no Museu Indígena. O local, que ficará aberto das 10h às 20h durante todos os dias do FABI, exibe peças que são verdadeiras expressões de cultura viva e ancestralidade, incluindo uma coleção de cocares que contam histórias e tradições.
O Secretário da SETRE, Augusto Vasconcelos, ressaltou a importância do festival:
“Claro que um evento como esse não vai resolver os problemas, mas ele joga luz, ele ilumina, ele projeta e ele dá perspectiva para que nós possamos consolidar essa política pública lá adiante. Quando a gente coloca peças do artesanato indígena dentro do shopping center de Salvador, nós estamos fazendo um ato de resistência cultural. Os empreendimentos da economia solidária que estão aqui, que têm a oportunidade através das lojas da economia solidária, dos centros públicos de economia solidária.”
Samehy Pataxó, Presidente da Associação de Mulheres Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul, expressou a alegria e o reconhecimento das comunidades pela entrega das carteiras de artesão:
“É um momento muito importante, viver as entregas das carteirinhas, essas carteirinhas pra gente é mais um equipamento, eu falo, porque a gente é especialista naquilo que a gente faz com o artesanato, mas pra gente buscar e participar de políticas públicas, ela vem num momento muito importante, então assim, a gente traz isso e a gente agradece a SETRE, agradece ao secretário Augusto por este momento, por estar com a gente, segurando em nossa mão, então estar fortalecendo o nosso território, fortalecendo aqui o comércio indígena, foi muito importante a gente fazer essa abertura aqui no comércio indígena na Aldeia de Coroa Vermelha.”
O festival segue até o domingo, 8 de fevereiro, com uma programação que prevê uma oficina, apresentação cultural, roda de conversa, cozinha show, shows a partir das 17h, incluindo a apresentação do canto e rapper Xamã.
“É com muito orgulho que fazemos a entrega do primeiro festival de artesanato realizado neste formato no Brasil, construído coletivamente com os povos e comunidades tradicionais e com a força de diversos povos originários da nossa Bahia, e sediado em Coroa Vermelha, a maior aldeia urbana do país, um marco histórico para a valorização da cultura indígena e da economia solidária.”, disse o coordenador de fomento ao artesanato da Bahia, Weslen Moreira.
O FABI é uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (SETRE), com a coordenação da Superintendência de Economia Solidária (SESOL) e da Coordenação de Fomento ao Artesanato (CFA). O festival representa um território de encontro e memória viva, onde as identidades plurais dos povos originários são afirmadas, e suas histórias de luta e resistência são compartilhadas, reafirmando seu protagonismo na sociedade contemporânea.








