Encontro da Unidade de Reabilitação do HU-UFS reuniu fisioterapeutas e pacientes para falar sobre sequelas do tratamento oncológico, autocuidado e prevenção
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS), vinculado à estatal HU Brasil, promoveu na última terça-feira (27) o encontro Reabilitação no Outubro Rosa, no Auditório do Anexo II. Organizada pela Unidade de Reabilitação, a roda de conversa reuniu fisioterapeutas e pacientes atendidas nos ambulatórios do hospital. Segundo Karla Mendonça, fisioterapeuta do HU-UFS e especialista em oncologia, o objetivo foi a difusão de conhecimento entre as mulheres pacientes. “Precisamos mostrar às outras mulheres esse autocuidado e como essas sequelas do tratamento oncológico do câncer de mama acontecem”, afirma.
Do diagnóstico aos cuidados paliativos
Karla explica que a fisioterapia atua em quatro etapas do tratamento. A primeira é a pré-habilitação, logo após o diagnóstico e antes da primeira terapia, para melhorar a funcionalidade da paciente e reduzir as perdas que virão. Durante a quimioterapia, a radioterapia ou a cirurgia, o trabalho é de prevenção e minimização de sequelas. Quando elas aparecem, entra a reabilitação. “Por fim, nós vamos atuar nos cuidados paliativos quando a doença evolui sistemicamente, não no sentido de reabilitar, mas de manter a qualidade de vida”, detalha.
Sequelas no braço, nos nervos e no assoalho pélvico
De acordo com a fisioterapeuta, pacientes no pós-operatório da cirurgia de mama costumam chegar com perda de força e limitação de movimento no braço do lado operado, dor e quadros como a síndrome da rede axilar, ligada à retirada dos linfonodos. A radioterapia também pode limitar movimentos e a quimioterapia pode provocar neuropatia periférica, fadiga oncológica e cardiotoxicidade, situações que podem afetar o funcionamento normal do sistema nervoso e do coração. “A fisioterapia tem uma riqueza de recursos que podem beneficiar essas mulheres”, ressalta. Ela acrescenta que o uso prolongado da hormonioterapia pode levar a disfunções do assoalho pélvico, a estrutura que “fecha” o “fundo” do quadril.
No ambulatório, que funciona no prédio da Dermatologia do HU-UFS, são atendidas pacientes com linfedema (acúmulo ou retenção de líquido), síndrome da rede axilar (limitações de movimento por conta de complicações na axila), dor, limitação de movimento e restrições causadas pela cicatrização da cirurgia. “Essas mulheres precisam saber que a gente também trabalha com isso aqui e que nosso serviço é gratuito, pelo SUS”, destaca Karla.
História de superação
A paciente Gilvana Meneses Lima descobriu o câncer de mama ao perceber um nódulo na mama direita. Os exames mostraram a doença nas duas mamas. No HU-UFS, ela fez quimioterapia, cirurgia e radioterapia, segue em hormonioterapia e passou por reconstrução mamária, quando recebeu a indicação para a fisioterapia. “Como eu fiz o esvaziamento das duas axilas, além da mastectomia, fiquei com dificuldade, principalmente no braço direito, de movimentar, e com dores. A fisioterapia tem ajudado a suportar as dores e a ter resistência”, relata.
Para Gilvana, o tratamento do câncer de mama envolve várias especialidades. “Todo mundo acha que só a quimioterapia resolve, só a cirurgia resolve. Não. É um conjunto: é o acompanhamento do oncologista, do mastologista, do psicólogo, do fisioterapeuta”, observa.
Ela conta que participar do encontro teve um significado especial. “Há um ano eu estava debilitada fazendo quimio e hoje estou podendo participar desse momento. Me sinto muito feliz em poder contar um pouco da minha história e ouvir a história de outras mulheres”, completa.
|
Sobre a HU Brasil
O HU-UFS integra a Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.
