Mounjaro e amamentação lideram buscas sobre o tema
Embora não faltem dúvidas entre quem amamenta, as pesquisas mais recentes no Google Brasil revelam um padrão: grande parte dos questionamentos está relacionada ao uso de medicamentos durante o período de aleitamento. Das canetas emagrecedoras a analgésicos de uso cotidiano, muitos internautas buscam entender quais substâncias podem ser utilizadas sem comprometer a saúde do bebê e a continuidade da amamentação.
Nos últimos 12 meses, a pergunta que mais gerou buscas foi “quem amamenta pode tomar mounjaro”, responsável por mais de 71 mil pesquisas e líder isolada do ranking. O interesse acompanha a popularização do medicamento, indicado para o tratamento de diabetes e também utilizado, fora da bula, para emagrecimento.
O consenso entre especialistas, no entanto, é de atenção: diante da falta de estudos suficientes que garantam a segurança do uso nesse período, a exposição ao fármaco não é recomendada. “São medicamentos que podem afetar o apetite e a disposição de quem amamenta de forma mais ampla, o que reflete diretamente na amamentação”, explica a médica Manoella Ferreira. “De toda forma, qualquer avaliação deve ser feita de maneira individual, com acompanhamento médico, preferencialmente no período pós-desmame.”
Outras dúvidas frequentes giram em torno de analgésicos e anti-inflamatórios de uso comum, como dipirona, ibuprofeno e nimesulida — que, somados, geraram 134 mil buscas online no período.
Embora todos exijam avaliação médica antes do uso, o grau de cautela varia entre eles, como explica Manoella. “O ibuprofeno é considerado compatível com a amamentação pelo Ministério da Saúde e pela Sociedade Brasileira de Pediatria; a dipirona teve sua classificação de risco revista para cima nos últimos anos por fontes de referência internacionais; e a nimesulida é a que exige maior atenção, sendo frequentemente indicada sua substituição ou a suspensão temporária da amamentação enquanto durar o tratamento. A recomendação geral, portanto, permanece a mesma: nenhum medicamento — mesmo os de uso corriqueiro — deve ser tomado sem orientação profissional durante esse período.”
“A internet cumpre um papel importante, mas não substitui a orientação profissional, especialmente em uma fase tão delicada quanto a amamentação”, complementa a médica. “A boa notícia é que, com a telemedicina e as consultas via chat, muitas dúvidas podem ser esclarecidas na mesma velocidade que uma navegação online, respeitando a rotina de quem acabou de ter um bebê. É o que move o modelo de atendimento do Olá Doutor, pensado para diferentes realidades e momentos da jornada de cuidado”, conclui.
Da tatuagem à doação de sangue: dúvidas variadas seguem no radar de quem amamenta
Além dos medicamentos, outras questões recorrentes mostram que as dúvidas de quem está amamentando vão muito além da farmacologia, passando por crenças populares, cuidados estéticos e hábitos voluntários, como a doação de sangue.
Entre os temas que mais despertam curiosidade está a relação entre amamentação e peso, com “amamentar emagrece” somando cerca de 45,2 mil buscas em 12 meses. E não é bem um mito: para produzir leite, o corpo materno consome energia extra, o que pode favorecer a perda de peso no período pós-parto. O efeito, porém, não é regra, variando de organismo para organismo conforme a alimentação, metabolismo e qualidade do sono.