A higiene bucal, tradicionalmente ligada à prevenção de cáries e ao controle do mau hálito, vem sendo cada vez mais estudada sob uma perspectiva sistêmica. Um estudo apresentado na International Stroke Conference observou que pessoas que utilizam fio dental regularmente apresentaram menor incidência de acidente vascular cerebral (AVC) e arritmia cardíaca crônica (fibrilação atrial), reforçando a hipótese de que hábitos simples de saúde oral podem estar relacionados à proteção cardiovascular. Segundo o cirurgião-dentista Gabriel Paternostro, especialista em Reabilitação e diretor clínico da Oral Unic, em Salvador, a boca não pode mais ser vista de forma isolada do restante do corpo. “A presença de doenças gengivais pode desencadear processos inflamatórios que ultrapassam a cavidade oral e, quando há acúmulo de placa bacteriana e inflamação periodontal, substâncias inflamatórias podem atingir a corrente sanguínea e contribuir para alterações sistêmicas”, destaca.
Apesar dos resultados observados, Gabriel Paternostro ressalta a necessidade de interpretação cuidadosa dos dados. “Os estudos mostram associação, não causalidade direta. Ou seja, o fio dental não é um fator isolado de prevenção de AVC, mas faz parte de um conjunto de hábitos de saúde que ajudam a reduzir processos inflamatórios no organismo”, afirma. O especialista reforça ainda que fatores como alimentação, atividade física e controle de doenças crônicas também são determinantes.
Para ele, a prevenção continua sendo o ponto central da saúde bucal e geral. “A recomendação é simples e eficaz: escovação adequada, uso diário do fio dental e consultas odontológicas regulares. São atitudes que parecem pequenas, mas que têm impacto significativo na saúde ao longo da vida”, conclui Gabriel Paternostro.